Sabino é suspenso e diretório do Pará sofre intervenção
Executiva Nacional do União Brasil aprova suspensão do ministro do Turismo e intervenção no diretório estadual paraense
Reunião da Executiva Nacional do União Brasil, para intervenção no Pará - foto: cedida Sabino é suspenso e diretório do Pará sofre intervenção
Executiva Nacional do União Brasil aprova suspensão do ministro do Turismo e intervenção no diretório estadual paraense
Por Redação — Portal News Bispo João Xavier
BRASILIA/DF |A Executiva Nacional do União Brasil aprovou, nesta quarta-feira (8), a suspensão cautelar das atividades partidárias do ministro do Turismo, Celso Sabino, e determinou a intervenção no Diretório Estadual do Pará, que passará a ser conduzido por uma comissão provisória designada pela direção nacional.
A decisão foi tomada em reunião realizada em formato híbrido, sob a condução do presidente nacional do partido, Antonio Rueda, e contou com a relatoria do deputado federal Fábio Schiochet (SC), no caso referente à expulsão e cancelamento da filiação de Sabino, e da senadora Professora Dorinha (TO), no processo de intervenção regional.
As duas deliberações foram aprovadas por ampla maioria: a proposta de expulsão obteve 32 votos favoráveis e apenas um contrário, enquanto a intervenção no diretório estadual registrou 31 votos a favor e dois contrários.
Durante a reunião, o ministro Celso Sabino esteve presente e se manifestou após a leitura dos relatórios. Apesar de sua fala em defesa, a Executiva Nacional manteve o entendimento de que houve descumprimento de diretrizes partidárias, o que motivou as medidas disciplinares.
“Não se trata de uma questão pessoal, é uma posição do partido que precisa ser coerente com seus valores. Respeitamos o tempo do Sabino, mas a decisão da Executiva é soberana”, declarou o presidente Antonio Rueda, ao justificar o resultado das votações.
O caso será encaminhado ao Conselho de Ética do União Brasil, que terá prazo de até 60 dias para emitir parecer definitivo. Até a conclusão do processo, o ministro permanecerá suspenso de suas funções partidárias e impedido de representar oficialmente a legenda.
Contexto e antecedentes
A decisão decorre de uma série de medidas internas adotadas pelo partido desde o início de setembro. No dia 2 de setembro, os presidentes da Federação União Progressista (UPb) — que reúne o União Brasil e o Progressistas —, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, anunciaram que todos os detentores de mandato das duas siglas deveriam renunciar a cargos ocupados no Governo Federal.
A resolução previa punições disciplinares em caso de descumprimento, incluindo afastamento dos quadros partidários. O objetivo, segundo a direção nacional, era reforçar a coerência ideológica da federação e marcar posição de independência em relação ao Executivo.
Mesmo após o anúncio, Celso Sabino optou por permanecer no Ministério do Turismo, alegando compromisso com políticas públicas e continuidade de programas estruturantes no setor. Em 18 de setembro, a Executiva Nacional reforçou a determinação, concedendo prazo de 24 horas para que filiados deixassem cargos de livre nomeação.
O descumprimento dessa orientação foi interpretado como quebra de disciplina partidária e resultou na suspensão de Sabino e na reestruturação do diretório estadual do Pará, considerado um dos mais importantes da legenda na Região Norte.
Intervenção e reorganização

A intervenção no diretório estadual do Pará tem por finalidade reorganizar a estrutura partidária local e garantir a observância das normas nacionais do União Brasil. A comissão interventora deverá ser nomeada nos próximos dias, com a atribuição de conduzir o processo de recomposição interna e preparar o partido para o calendário eleitoral de 2026.
Nos bastidores, dirigentes apontam que o diretório paraense enfrentava divergências internas sobre alianças regionais e posicionamentos frente ao Governo Federal. A medida, segundo fontes próximas à Executiva, busca restabelecer a unidade e a disciplina partidária.
Repercussão e efeitos políticos
A decisão provocou repercussão imediata entre parlamentares e lideranças do União Brasil. Parte da bancada defende uma postura de diálogo, destacando que a presença de Sabino no Ministério do Turismo contribui para a interlocução federativa e o fortalecimento de políticas públicas.
Outros dirigentes, porém, apoiaram a medida como forma de reafirmar a autonomia e a identidade política do partido, que se posiciona como força de centro-direita independente e crítica à condução do Governo Federal.
Com o processo em tramitação no Conselho de Ética, a expectativa é de que o episódio produza novos desdobramentos, tanto na esfera interna da legenda quanto nas articulações nacionais envolvendo a federação União Progressista.
Análise e bastidores
A suspensão de Celso Sabino e a intervenção no diretório do Pará representam um marco na tentativa do União Brasil de reafirmar seu controle interno e sua coerência institucional. A medida é interpretada por analistas políticos como uma resposta direta às pressões que o partido vinha sofrendo para definir uma posição mais clara em relação ao Governo Lula.
Ao endurecer a postura, o presidente Antonio Rueda sinaliza a intenção de reconstruir a coesão interna e projetar a federação União Progressista como um bloco de oposição moderada, com capacidade de se consolidar como alternativa política para 2026.
A decisão, embora gere desgaste momentâneo, reforça o discurso de independência e consolida Rueda e Ciro Nogueira como articuladores de uma frente partidária que busca equilíbrio entre governabilidade e autonomia.
Entenda o caso
Quem foi suspenso: Celso Sabino, ministro do Turismo e filiado ao União Brasil.
Motivo da punição: descumprimento de resolução partidária que determinava a saída de todos os filiados do Governo Federal.
Outras medidas: intervenção no Diretório Estadual do Pará, com nomeação de uma comissão provisória.
Relatores: deputado Fábio Schiochet (SC) e senadora Professora Dorinha (TO).
Próximos passos: o caso segue para o Conselho de Ética, que terá até 60 dias para emitir parecer.
Objetivo político: reforçar a disciplina interna e a independência do União Brasil dentro da Federação União Progressista.





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