José Silvestre
Carlos Eduardo e a Face Amarga da Ingratidão Política
Quando o reconhecimento se perde na política e a lealdade dá lugar à conveniência.
Além MarCarlos Eduardo e a Face Amarga da Ingratidão Política
Quando o reconhecimento se perde na política e a lealdade dá lugar à conveniência.
Por Além Mar
Há episódios na política que ultrapassam a esfera das alianças partidárias e atingem o campo pessoal. A ruptura entre Carlos Eduardo Alves e Álvaro Dias é um desses casos que ainda ecoam nos bastidores da capital potiguar.
Em recente declaração pública, o ex-prefeito Carlos Eduardo se referiu ao ex gestor de Natal como “desleal”, expressando um sentimento que muitos observadores da política local já vinham percebendo: o rompimento de uma parceria construída à base de confiança e apoio mútuo.
Carlos Eduardo foi o responsável por recolocar Álvaro em evidência política, abrindo espaço para que ele chegasse à cadeira de prefeito — uma das mais cobiçadas do Estado. Em troca, esperava reciprocidade e gratidão.
Mas, ao longo do tempo, as posturas adotadas por Álvaro indicaram distanciamento e uma tentativa de reescrever a própria trajetória, como se o apoio que o conduziu ao cargo tivesse sido mero detalhe.
A política, infelizmente, é terreno fértil para esse tipo de comportamento. Há quem construa pontes e há quem as atravesse apenas para depois incendiá-las. O povo de Natal acompanhou esse processo: Carlos Eduardo deixou uma cidade organizada, uma gestão reconhecida e um espaço político sólido, que acabou sendo a base de ascensão de Álvaro.
Quando o ex-prefeito expressa sua frustração, não fala apenas de si, mas reflete um sentimento coletivo de quem se decepciona com a política de conveniência — aquela em que as alianças duram enquanto servem, e a lealdade é descartada quando se torna incômoda.
Álvaro Dias consolidou sua própria imagem pública, é verdade, mas é inegável que o ponto de partida foi o impulso dado por Carlos Eduardo.
Um construiu o alicerce; o outro colheu os frutos. E, como a história mostra, a ingratidão política é sempre lembrada — cedo ou tarde.
No fim, o tempo costuma fazer justiça. O eleitor reconhece quem tem trajetória, quem tem palavra e quem apenas se aproveita do momento.
Porque, na política, quem renega suas origens pode até subir rápido, mas costuma descer sozinho




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